Av. Paulista: O berço das Tribos Urbanas

Jack (de óculos) e seus amigos se reúnem sempre na Avenida Paulista. Atualmente eles trabalham em uma empresa de administração, e nos finais de semana se encontram para conversarem sobre Webers e suas tribos.

Na Avenida Paulista jovens demarcam seus estilos: com calças Skini e acessórios que remetem a características e gosto musical que variam de Saco Island Deli, Cord Power cord, Had Cord e música eletrônica.

 O estudante de publicidade, Felipe de 23 anos, curte exibir suas tatuagens e diversos piercings no rosto

 Pedro, César e Karina  representam a tribo de rockn-roll e se vestem de maneira mais alternativa e despojada

 Sury e Bruno são da tribo de Hip-Hop e seus estilos representam muito bem essa tribo: bonés, correntes e tênis do estilo PUMA

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Professor de escola pública fala sobre as tribos urbanas que fazem a cabeça dos jovens em sala de aula

Professor Léo Marcos Ortiz leciona as as matérias de Biologia e Ciências para o Ensino Fundamental, Médio e Técnico. Atualmente leciona no Colégio Estadual “Anhaguera” e já atuou como professor de biologia na Rede Estadual de Ensino – EE Beatriz Lopes e EE Prof. Manuel Ciridião Buarque e como professor Universitário atuou na Universidade de Santo Amaro – UNISA.

Você conhece a moda Hip-Hop?

Por Jaqueline Esmendia

O Hip- Hop é considerada uma das culturas que mais influenciam os jovens.

O estilo, a ideologia e a forma com que os jovens passam a fazer músicas modificaram toda uma geração de pessoas que se sentiam esquecidas pelo governo.

 Esses jovens que calçam Tênis Puma, Nike, Adidas, entre outras marcas famosas, criaram seu estilo para se diferenciarem dentro das possibilidades que tinham, além de procurarem roupas baratas que estivessem dentro do seu orçamento. 

 As marcas citadas acima eram usadas somente para fins esportivos antes dos anos 70, mas passaram a ser usadas para dançar o Hip-Hop por serem confortáveis e por terem um preço mais acessível na época. Desde que a Puma patrocinou a película Beat Street em 1984, os agasalhos ficaram ainda mais em evidência.

 Camisetas com desenhos de Graffiti, Fat laces que no início da cultura Hip-Hop eram feitos de elásticos de cueca, boinas Kangol e Hopes são alguns dos acessórios mais usados por quem gosta de Hip-Hop, sem falar nas jóias que são espalhadas por todo o corpo, com destaque para o dente de ouro, muito usado   entre os rappers como Nelly e Snoop Dog.  

Fat Laces

Entretanto, todo esse estilo custa muito caro para os adeptos dessa tribo, que por muitas vezes, acabam aderindo por acessórios falsos ou mais baratos. Um par de tênis do mesmo modelo usado pelos B.boys chega a custar R$ 180 e para se sentir totalmente dentro do estilo os consumidores chegam a gastar cerca de R$ 1 mil. Porém, esses altos custos da moda rapper não desanima os seus adeptos, afinal, vale tudo para estar confortável e se sentir poderoso dentro do seu estilo. 

 Hoje, podemos definir o estilo Hip-Hop como o estilo Moda e Poder, onde os as pessoas adeptas ao visual se sentem poderosas e completamente dentro da moda da sua tribo.

Sociólogo explica o fenômeno das Tribos Urbanas

Para entender um pouco mais sobre Tribos Urbanas entrevistamos o sociólogo, pesquisador e professor de história contemporânea da Uni Sant’Anna e Unifai Marcos Horácio Gomes Dias.


1 – Qual o principal motivo que leva as pessoas a criarem  uma tribo?

A sensação de pertencerem a um grupo e constituírem uma identidade. Estar com os seus iguais significa ter aceitação e existir enquanto indivíduo.

2 – Você acha que a tribo causa uma forma de “isolamento social”?

Depende do ponto de vista. Estes grupos podem isolar as pessoas da sociedade hegemônica, daquela no qual a moral predominante exige regras para trabalho, casamento e conduta sexual. Por outro lado, a tribo socializa o indivíduo em outro grupo com normas e condutas de comportamento. É muito difícil o ser humano estar isolado socialmente.

3 – A expressão “tribo urbana” foi criada pelo sociólogo francês Michel Maffesoli. Você não acha que esse termo é um pouco preconceituoso, tendo em vista que antes a palavra tribo era utilizada pra se referir apenas aos indígenas?

Acho que não! Este termo refere-se a um agrupamento de pessoas ou indivíduos. Indica que existe uma sociabilidade que não é igual ao modelo europeu e americano de Estado-Nação, ordem jurídica, organização capitalista do trabalho etc. Como os indígenas americanos e os agrupamentos africanos não seguem estas regras, serviram de modelo e exemplos para os estudiosos entenderem os diversos grupos da própria sociedade ocidental.

4 – Qual a tribo que mais influenciou gerações?

Não existe uma específica. Existem várias: hippies, roqueiros, gays, góticos, religiosos, modernos, emos etc.

5 – Qual a tendência das tribos urbanas para os próximos anos?

As tribos geralmente seguem a tendência acima, mas as tribos religiosas têm aumentado de forma galopante.

6 – Qual o verdadeiro objetivo das tribos urbanas? Será esse fenômeno apenas um modismo?

Elas vem de encontro a uma insatisfação em relação a sociedade que se vive. Existe um descrédito naquilo que aprendemos como importante e bom: Estado-Nação, ordem jurídica, organização capitalista do trabalho, sistema educacional, divisões sexuais etc. Elas tentam criar uma sociabilidade que não leva em consideração os padrões da sociedade hegemônica.  Podem até seguir uma determinada moda, mas irão existir sempre.

7 Em sua opinião, qual a influência das tribos urbanas para a sociedade atual?

Permitem que indivíduos diversos se expressem, divulgam modas e, ao mesmo tempo, servem como vitrine para o capitalismo criar novas mercadorias.

8 – Você acha que o crescimento das novas mídias favorece o crescimento das tribos urbanas?

Sim!!! Mais do que isso, servem para a divulgação dessas tribos.

9 Para Maffesoli, uma particularidade das tribos urbanas é o caráter volátil de seus vínculos internos, o que tanto torna sua dinâmica social muito rica, como enfraquece as ligações entre os membros, comprometendo o engajamento em projetos cooperativos de maior duração. Você concorda com essa afirmação?

Sim, pois estes pequenos grupos se articulam por meio de regras e normas. Dessa maneira, criam uma insatisfação constante naqueles que entendiam esta tribo como uma possibilidade de libertação ou de vida alternativa. O grupo acaba não respondendo aos anseios de cada desejo individual e assim não se torna coeso, impossibilitando qualquer luta política. Por outro lado, a própria vida contemporânea que exige um individualismo extremo e satisfação imediata dos desejos impossibilita uma cultura voltada para alianças e relações interpessoais. Por muitas vezes, o indivíduo procura uma tribo em busca de regras e normas de conduta, pois se sente tão perdido neste caos da civilização, que prefere se juntar a um grupo que tenhas normas e regras.

10 Você considera o fenômeno das tribos urbanas como o maior movimento de massa da juventude?

Não sei se é o maior, mas é o que é possível neste momento.

*Marcos Horácio: Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1995), Pós – Graduação Lato Sensu em Arte e Cultura Barroca pelo Instituto de Filosofia Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (1999), mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo (2000) e é doutorando em História pela PUC-SP (2008). Atualmente é professor titular do Centro Universitário Assunção, professor titular do Centro Universitário Sant’Anna  e foi sócio-proprietário da Trilhos Consultoria em História, Cultura e Comunicação. Tem experiência como docente na área de História e Comunicação Social, com ênfase em Estética, História da Arte, História Contemporânea, Teoria da Comunicação e Sociologia, atuando também nas seguintes disciplinas: Patrimônio Cultural, Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira e Antropologia.

Raves – A nova mania que pode chegar até você

Por Jaqueline Esmendia

Se você gosta de música eletrônica, gosta de dançar, precisa conhecer o que é uma rave!

As Raves são festas que acontecem geralmente longe dos centros urbanos, em galpões, sítios ou fazendas e que hoje reúnem cerca de 20 mil jovens.

A primeira festa Rave considerada urbana aconteceu em 1992, a LM Music.  A festa passou pela Cidade de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

As Raves começaram com o objetivo essencial de interação entre as pessoas e a fuga da realidade pelas diversas formas de arte.  As festas tiveram grande influência no desenvolvimento da Música eletrônica dançante, eram uma reação as tendências da música popular, o rádio comercial e a cultura de casas noturnas.

O som das Raves fica por conta de DJs reconhecidos mundialmente e que tocam diversos estilos de música eletrônica dentre esses estilos estão: tecno, trance, trance psicodélico, drum and bass, house music, música ambiente, acid house entre outros.

O Blog Conexão Tribo conversou com promoter de Raves Alexandro de Oliveira Romão de Mello, 24 anos, que nos explicou um pouco mais sobre essas festas que viraram mania ente os jovens.

As Raves eram frequentadas antes por pessoas apenas de classe média/alta devido ao preço muito alto dos ingressos, hoje as festas são freqüentadas por pessoas de quase todas as classes sociais. “As Raves perderam muito do seu charme”, afirma Alexandro.

Em questões financeiras, é muito difícil calcular quanto em dinheiro é arrecadado em uma Rave devido aos grandes custos das produções. As grandes festas estão sendo apresentadas apenas uma vez ao ano.

Quando questionado sobre a segurança de uma Rave, Alexandro Romão nos afirma “As pessoas são revistadas sim e muito bem revistadas, mas caso algum usuário de drogas seja pego, ele é imediatamente levado para as autoridades que ficam na festa (policia).” Para entrar em uma Rave o jovem precisa ter 18 anos, mas raramente documentos são pedidos devido ao grande público.

As Raves pregam a liberdade dos frequentadores de estarem longe de quatro paredes e poderem fazer aquilo que quiserem, sem serem recriminados por ninguém.

E segundo Alexandro Romão, a melhor Rave é aquela que esta em meio a uma paisagem magnífica, um som eletrizante e perto das pessoas que você gosta.

Agora, as Raves também estão no Conexão Tribo!

Artes Marciais: O Karatê como filosofia de vida

Arnaldo Santos em um de seus treinos

Por Kelly Andrade

As artes marciais começaram a se popularizar na última década, devido ao grande interesse da população em praticar as lutas como forma de exercício e defesa pessoal. Antes, essa prática era de domínio exclusivo dos monges e guerreiros, mas hoje, as artes marciais provenientes do Japão, Coréia e China são cada vez mais populares e contam com um extenso número de adeptos.

Atualmente, o Karatê é uma das principais lutas utilizadas para autodefesa e significa “o caminho da mão vazia”. Sua origem remete ao século XV, em Okinawa, no Japão. Na época, uma lei proibia o uso de qualquer tipo de arma, porém, os criminosos a ignoravam. Para se defender, os monges zen-budistas desenvolveram a técnica de “mãos vazias”, a qual originou o Karatê. . No Brasil, a luta foi introduzida na década de 50 em São Paulo e em seguida nos outros estados.

O Blog Conexão Tribo conversou com um lutador profissional de Karatê, Arnaldo Santos, que compete pelo Esporte Clube Palmeiras e em campeonatos universitários pela Unisant’anna. Arnaldo nos contou que iniciou no Karatê aos 4 anos de idade e se inspirava inicialmente nos filmes de Bruce Lee. “O Karatê traz paz, harmonia e qualidade de vida”, garante. Arnaldo lembra que o Karatê não participa das Olimpíadas e acredita que isso acontece devido à falta de patrocínio e por ser um esporte filiado a muitas federações. “É o único campeonato que não participamos”, lamenta.

Perguntamos ao karateka sobre lutadores violentos que brigam nas ruas por qualquer motivo, e em sua opinião, isso é apenas uma desculpa para os vândalos.  “Isso é uma farsa, tem gente que acha que é profissional só porque se matriculou em uma academia de Artes Marciais, se a sociedade pensar assim sobre os lutadores profissionais estará sendo preconceituosa e mal informada”, afirma.

Arnaldo nos contou qual a filosofia do Karatê que eles falam antes de iniciar o treino:

“Lembra do Karatê, se esforçais para a formação do caráter, fidelidade para o com o verdadeiro caminho da razão, criai intuito de esforço, respeito acima de tudo e conter o espírito de agressão”.

O lutador é faixa-preta pela Federação Paulista de Karatê Interestilos e recentemente participou da 1° etapa do Campeonato Paulista de Karatê faturou o 3° lugar do pódio e foi classificado para as finais. O Blog Conexão Tribo vai acompanhar a final do campeonato, aguarde!

Conhecendo um pouco mais das Torcidas Organizadas

Vagner Araújo - Torcedor do Palmeiras

  Por Aline Martins  

Quem não conhece ao menos uma pessoa que idolatra o seu time? Mas será que idolatrar tanto um time assim é  normal?  

O Blog Conexão Tribo conversou com um torcedor fanático pelo Palmeiras e integrante da torcida  Mancha  verde, para entender um pouco a filosofia desses torcedores que até dariam a própria vida pelo time que torcem.

Uma das torcidas mais conhecidas do Brasil, a Macha Verde já foi apontada pela imprensa como a torcida que mais “causa problemas” nos estádios brasileiros. No último dia 03 de março, a torcida foi proibida de frequentar uniformizada qualquer estádio paulista. Isso aconteceu após o clássico entre Palmeiras e São Paulo no dia 21 de fevereiro. Segundo a Federação Paulista de Futebol, a decisão foi tomada por motivos de comportamento nocivo e vandalismo por parte da torcida palmeirense. Em 1995, no clássico entre Corinthians e Palmeiras, ocorreu uma das maiores brigas em estádios do mundo. A Mancha Verde foi acusada de ser a principal causadora da briga, a qual acarretou a morte de 3 jovens.  

Em um papo descontraído com Vagner Araújo, 21 anos, morador da região da Brasilândia e componente da Mancha Verde, nos contou um pouco sobre o parâmetro atual das torcidas organizadas de São Paulo. Segundo o palmeirense, o lado positivo das torcidas é ter a felicidade de ver seu time ser campeão e a oportunidade de conhecer o Brasil junto com as caravanas organizadas pela Mancha Verde. Já o negativo é o risco de envolver-se em brigas por amor ao time.  Vagner nos disse que se envolveu em uma briga no clássico entre Palmeiras e São Paulo em 14 de junho de 2007, próximo ao estádio Palestra Itália e foi fortemente agredido pela torcida rival. “Fiquei 14 dias internado e perdi um dente”, risos. Ao ser questionado sobre o que acha que deve ser feito para diminuir as brigas nos estádios, Vagner foi objetivo e claro: “A solução é sair da quadra e ir direto para o estádio sem passar em lugar nenhum, pois assim evita que as torcidas rivais de se encontrem”, afirma. Araújo garante que frequentará o estádio pelo resto de sua vida. “Palmeiras pra mim é religião”, finaliza. 

 http://www.futebolpaulista.com.br/federacao.php?sec=18&sub=&cod=35296