Professor de escola pública fala sobre as tribos urbanas que fazem a cabeça dos jovens em sala de aula

Professor Léo Marcos Ortiz leciona as as matérias de Biologia e Ciências para o Ensino Fundamental, Médio e Técnico. Atualmente leciona no Colégio Estadual “Anhaguera” e já atuou como professor de biologia na Rede Estadual de Ensino – EE Beatriz Lopes e EE Prof. Manuel Ciridião Buarque e como professor Universitário atuou na Universidade de Santo Amaro – UNISA.

Sociólogo explica o fenômeno das Tribos Urbanas

Para entender um pouco mais sobre Tribos Urbanas entrevistamos o sociólogo, pesquisador e professor de história contemporânea da Uni Sant’Anna e Unifai Marcos Horácio Gomes Dias.


1 – Qual o principal motivo que leva as pessoas a criarem  uma tribo?

A sensação de pertencerem a um grupo e constituírem uma identidade. Estar com os seus iguais significa ter aceitação e existir enquanto indivíduo.

2 – Você acha que a tribo causa uma forma de “isolamento social”?

Depende do ponto de vista. Estes grupos podem isolar as pessoas da sociedade hegemônica, daquela no qual a moral predominante exige regras para trabalho, casamento e conduta sexual. Por outro lado, a tribo socializa o indivíduo em outro grupo com normas e condutas de comportamento. É muito difícil o ser humano estar isolado socialmente.

3 – A expressão “tribo urbana” foi criada pelo sociólogo francês Michel Maffesoli. Você não acha que esse termo é um pouco preconceituoso, tendo em vista que antes a palavra tribo era utilizada pra se referir apenas aos indígenas?

Acho que não! Este termo refere-se a um agrupamento de pessoas ou indivíduos. Indica que existe uma sociabilidade que não é igual ao modelo europeu e americano de Estado-Nação, ordem jurídica, organização capitalista do trabalho etc. Como os indígenas americanos e os agrupamentos africanos não seguem estas regras, serviram de modelo e exemplos para os estudiosos entenderem os diversos grupos da própria sociedade ocidental.

4 – Qual a tribo que mais influenciou gerações?

Não existe uma específica. Existem várias: hippies, roqueiros, gays, góticos, religiosos, modernos, emos etc.

5 – Qual a tendência das tribos urbanas para os próximos anos?

As tribos geralmente seguem a tendência acima, mas as tribos religiosas têm aumentado de forma galopante.

6 – Qual o verdadeiro objetivo das tribos urbanas? Será esse fenômeno apenas um modismo?

Elas vem de encontro a uma insatisfação em relação a sociedade que se vive. Existe um descrédito naquilo que aprendemos como importante e bom: Estado-Nação, ordem jurídica, organização capitalista do trabalho, sistema educacional, divisões sexuais etc. Elas tentam criar uma sociabilidade que não leva em consideração os padrões da sociedade hegemônica.  Podem até seguir uma determinada moda, mas irão existir sempre.

7 Em sua opinião, qual a influência das tribos urbanas para a sociedade atual?

Permitem que indivíduos diversos se expressem, divulgam modas e, ao mesmo tempo, servem como vitrine para o capitalismo criar novas mercadorias.

8 – Você acha que o crescimento das novas mídias favorece o crescimento das tribos urbanas?

Sim!!! Mais do que isso, servem para a divulgação dessas tribos.

9 Para Maffesoli, uma particularidade das tribos urbanas é o caráter volátil de seus vínculos internos, o que tanto torna sua dinâmica social muito rica, como enfraquece as ligações entre os membros, comprometendo o engajamento em projetos cooperativos de maior duração. Você concorda com essa afirmação?

Sim, pois estes pequenos grupos se articulam por meio de regras e normas. Dessa maneira, criam uma insatisfação constante naqueles que entendiam esta tribo como uma possibilidade de libertação ou de vida alternativa. O grupo acaba não respondendo aos anseios de cada desejo individual e assim não se torna coeso, impossibilitando qualquer luta política. Por outro lado, a própria vida contemporânea que exige um individualismo extremo e satisfação imediata dos desejos impossibilita uma cultura voltada para alianças e relações interpessoais. Por muitas vezes, o indivíduo procura uma tribo em busca de regras e normas de conduta, pois se sente tão perdido neste caos da civilização, que prefere se juntar a um grupo que tenhas normas e regras.

10 Você considera o fenômeno das tribos urbanas como o maior movimento de massa da juventude?

Não sei se é o maior, mas é o que é possível neste momento.

*Marcos Horácio: Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1995), Pós – Graduação Lato Sensu em Arte e Cultura Barroca pelo Instituto de Filosofia Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (1999), mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo (2000) e é doutorando em História pela PUC-SP (2008). Atualmente é professor titular do Centro Universitário Assunção, professor titular do Centro Universitário Sant’Anna  e foi sócio-proprietário da Trilhos Consultoria em História, Cultura e Comunicação. Tem experiência como docente na área de História e Comunicação Social, com ênfase em Estética, História da Arte, História Contemporânea, Teoria da Comunicação e Sociologia, atuando também nas seguintes disciplinas: Patrimônio Cultural, Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira e Antropologia.

Artes Marciais: O Karatê como filosofia de vida

Arnaldo Santos em um de seus treinos

Por Kelly Andrade

As artes marciais começaram a se popularizar na última década, devido ao grande interesse da população em praticar as lutas como forma de exercício e defesa pessoal. Antes, essa prática era de domínio exclusivo dos monges e guerreiros, mas hoje, as artes marciais provenientes do Japão, Coréia e China são cada vez mais populares e contam com um extenso número de adeptos.

Atualmente, o Karatê é uma das principais lutas utilizadas para autodefesa e significa “o caminho da mão vazia”. Sua origem remete ao século XV, em Okinawa, no Japão. Na época, uma lei proibia o uso de qualquer tipo de arma, porém, os criminosos a ignoravam. Para se defender, os monges zen-budistas desenvolveram a técnica de “mãos vazias”, a qual originou o Karatê. . No Brasil, a luta foi introduzida na década de 50 em São Paulo e em seguida nos outros estados.

O Blog Conexão Tribo conversou com um lutador profissional de Karatê, Arnaldo Santos, que compete pelo Esporte Clube Palmeiras e em campeonatos universitários pela Unisant’anna. Arnaldo nos contou que iniciou no Karatê aos 4 anos de idade e se inspirava inicialmente nos filmes de Bruce Lee. “O Karatê traz paz, harmonia e qualidade de vida”, garante. Arnaldo lembra que o Karatê não participa das Olimpíadas e acredita que isso acontece devido à falta de patrocínio e por ser um esporte filiado a muitas federações. “É o único campeonato que não participamos”, lamenta.

Perguntamos ao karateka sobre lutadores violentos que brigam nas ruas por qualquer motivo, e em sua opinião, isso é apenas uma desculpa para os vândalos.  “Isso é uma farsa, tem gente que acha que é profissional só porque se matriculou em uma academia de Artes Marciais, se a sociedade pensar assim sobre os lutadores profissionais estará sendo preconceituosa e mal informada”, afirma.

Arnaldo nos contou qual a filosofia do Karatê que eles falam antes de iniciar o treino:

“Lembra do Karatê, se esforçais para a formação do caráter, fidelidade para o com o verdadeiro caminho da razão, criai intuito de esforço, respeito acima de tudo e conter o espírito de agressão”.

O lutador é faixa-preta pela Federação Paulista de Karatê Interestilos e recentemente participou da 1° etapa do Campeonato Paulista de Karatê faturou o 3° lugar do pódio e foi classificado para as finais. O Blog Conexão Tribo vai acompanhar a final do campeonato, aguarde!